V N garden pavilion

Trofa, 2011

Uma urgência: ampliar uma estrutura de jardim capaz de acolher uma festa de casamento de família que se realizaria, ali, quatro meses depois.
O desafio não prometia. O objeto era débil.


Entretanto, o cliente comprou o terreno nas costas do anexo. O novo terreno alargava a frente de rua; o projeto ganharia uma nova frente.
As construções vizinhas eram (são) humildes, variadas nos seus recortes, nas cores e nos acabamentos. Na paisagem das redondezas emergia um sortido de contaminações e de ocupação de solo.
Lembrei-me do Manuel Graça Dias quando repetia:


“A paisagem é, então, povoada de casas, muitas casas ou outras construções, invenções que possibilitam a vida, que a tornam mais “natural“, não há feio nem bonito, há estradas, canalizações de água, depósitos, esgotos, distribuição de energia, fornos, fábricas, escolas, igrejas (…) lugares simbólicos, celebração da vida comum
e de sociabilidade (…)”.

 

Meti o proselitismo num saco. Mãos à obra e ao desenho.
Iniciei a leitura da Enciclopédia de Construção Civil de F. Pereira da Costa. Ideia: anexar aos 100 m² existentes um novo espaço coberto (e fechado) com 270 m² e construir uma volumetria simétrica a uma estrutura aumentada, obtendo mais 150 m².
Esta estrutura simétrica não seria coberta; no caso da realização de um evento (o tal casamento, por exemplo), desmontar-se-iam os vãos exteriores de meação com a estrutura da esplanada e cobrir-se-ia o “esqueleto de madeira” com um têxtil: surge o salão de noite – uma possibilidade de 450 m² cobertos.


Na obra aconteceu o inesperado, a velha estrutura foi desmantelada e refez-se a partir do zero. Cozinha, sanitários por género, uma sauna, uma banheira de hidromassagem, ocupam as zonas recônditas do salão para uso estival.
No terreno vizinho, entretanto adquirido, existia uma pequena fábrica e uma moradia. A fábrica foi arrasada e deu lugar a um jardim.
Da antiga moradia existente no terreno preservamos o basamento em pedra.
O objeto é uma estrutura em madeira lamelada de pinho nórdico.
Exigimos que todas as ligações fossem executadas segundo técnicas tradicionais de carpintaria, à base de samblagens, cortes e entalhes – intermináveis discussões.
Os pavimentos são em granito. As paredes são de tijolo cerâmico estucado, protegidas com um rodapé em Estremoz.

An emergency: to expand a garden structure to host a family wed-ding party that was going to be held in four months' time.

The challenge was not promising. The purpose was weak.


Meanwhile, the client bought the plot at the back of the annexe. The new plot extended the road frontage; the project would have a new front.

The neighbouring structures were (are) humble, varied in their sizes, colours and finishings. The surrounding landscape had an assortment
of contamination and soil occupation.

I recall Manuel Graça Dias when he would repeat:


“The landscape is, therefore, populated with houses, many houses or other constructions, inventions that make life possible, that make it more “natural “, there is no ugliness or beauty, there are roads, water mains, deposits, drains, power supplies, ovens, factories, schools, churches (…) symbolic places, the celebration of life in common and sociability (…)”.


I stuffed the proselytism into a bag. I put my hands to work and de-sign. I began reading F. Pereira da Costa's Encyclopaedia of Civil Construction. The Idea: to annex a new covered (and enclosed) space with 270 m²  to the existing 100 m²  and to build a symmetric volume to an expanded structure, getting another 150 m² .
This symmetrical structure would not be covered; if there was an event (such as this wedding for instance) the exterior spans would be dismounted and the wooden skeleton would be covered with a fabric: the evening hall would appear – with the possibility
of 450
m²  of covered area.


The unexpected happened and the old structure was dismantled and rebuilt from scratch. Kitchen, men's and women's toilets, a sauna, a hot‑tub occupied the remoter zones of the hall for summer use.
On the neighbouring plot, which had been bought in the meanwhile, there was a small factory and a house. The factory was knocked down to make way for a garden.

We preserved the stone base of the old house.
The object is a structure in laminated Nordic Pine.

We demanded that all the joints were made using traditional carpentry techniques such as carpenter’s joints and dovetail joints – endless arguments.
The floors are in granite. The walls are plastered ceramic bricks, protected by a marble skirting board.

G A L L E R Y :

Rua João Paulo II, n. 615, Trofa, Porto, Portugal.

 t. +351 252 414 729   m. +351 933 205 481   e. noarq@noarq.com

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