| r e n o v a t i o n |    T O R C A T O  a t e l i e r 

Porto, 2016

Como conceber um atelier de trabalho e de exposição para um designer de moda?

Encontrámos um espaço desenhado, totalmente revestido a madeira, provavelmente demasiado adjetivado: sem a  qualidade necessária, nem o melhor acabamento.

Construir não é económico; demolir também não.

O budget era muito limitado, mas talvez a intervenção não passasse por um processo construtivo. Como transformar um espaço, conferindo-lhe uma atmosfera pessoal, serena e segura, sem recurso a obra?

Recordei-me de Gottfried Semper, a origem têxtil da parede. Não podendo construir nem mesmo demolir, optou-se pela ideia de um honesto revestimento: um têxtil solto, um revestimento que não é uma máscara, que não imita nem esconde - um filtro.

O têxtil é a matéria-prima do cliente, a hipótese passou a solução como uma evidência. Cristalizamos a arquitectura tal como era, sem acrescentar nem retirar, apenas despolimos a madeira e aplicamos um véu; o tal filtro. Em todo o perímetro do espaço aplicamos uma cortina translúcida. Negra.

O preto não é cor: é conceito. É sempre elegante – perdura. É uma concentração negativa, uma anulação.

No chão uma alcatifa básica, industrial, da mesma cor consolida a ideia. Fixámos a atmosfera, o protagonismo seria deixado ao produto.

 

Um atelier de moda é marcado por inúmeros perfis que sustem as peças de roupa, habitualmente perfis tubulares. Esses tubos são os charriots ou são os varões frontais ou varões corridos para suspender cabides.

Acrescentava-se agora a necessidade de suspender as cortinas do provador e o tal filtro -  cortinas que envolvem o espaço. Como? Num tubo?

 

Havia ainda que resolver a iluminação.

Ser contínua era uma possibilidade.

De súbito um tubo contínuo resolvia tudo. O mesmo tubo que suspende a cortina envolvente serve para suspender as peças de roupa e para iluminar o espaço.

Ser descontínua era uma possibilidade.

Pontos de luz no teto iluminam os espelhos; iluminarias suspensas iluminam os charriots; uma fita luminosa corre na madeira. Escolhemos o cobre. 

Desenhamos uma consola e duas mesas que organizam as salas, escolhemos algumas cadeiras, pintamos as paredes restantes de cinza.

O resto são complexidades de obra cuja irritação que nos causam dispensam registo.

How to design a work and exhibition studio for a fashion designer?
We found a space drawn, fully coated in wood, probably too labelled: without the necessary quality, neither the best finishing.
Build is not economic; demolish neither.


The budget was very limited, but maybe the intervention doesn’t pass through a constructive process. How to transform a space, giving it a personal atmosphere, serene and secure, without any kind of construction?
I remembered Gottfried Semper: the textile origin of wall.
Cannot building and even demolishing, we opted for the idea of an honest coating: a loose textile, a coating that is not a mask, that doesn't even imitate or hide - a filter.

 


Textile is the raw material of the client, the hypothesis from a solution became an evidence. We crystallized the architecture such as it was, without adding or removing, just sanding the wood and apply a veil; the filter. Around all the perimeter we apply a translucent curtain. Black.
Black is not a colour, it is a concept. Is always classy – it lasts. It is a negative concentration, an annulment.
On the floor a basic, industrial carpet, of the same colour, fixes the idea. We set the atmosphere, the role would be left to the product.

 


A fashion atelier is marked countless profiles that hold the pieces of clothing. Usually tubular profiles. These tubes are the charriots or the front bars or the wide rods that suspend hangers.

It emerged now the need to suspend the curtains of the dressing room and the one involving the space, the filters. How? In a tube?


There was still that solve the lighting.

Be continuous was a possibility.

Suddenly a continuous tube solved everything. The same tube that suspends the wraparound curtain serves to suspend the garments and to illuminate the space.

Be discontinuous was a possibility.

Points of light in the ceiling illuminate the mirrors; suspended light led the charriots; a luminous tape runs on wood.

We chose the copper.

 

We design a game console and two tables that organize the rooms, we chose some chairs, we painted the walls remaining.

The rest are of work whose complexities that cause us irritation exempt record.

Rua João Paulo II, n. 615, Trofa, Porto, Portugal.

 t. +351 252 414 729   m. +351 933 205 481   e. noarq@noarq.com

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