| r e n o v a t i o n |   F C house

Trofa, 2006-2014

A casa não possuía qualquer qualidade singular, além de conservar ereta a memória da família. Para mim, uma construção apenas. Por vezes somos assomados por imperativos que nos parecem gratos absurdos. Eram 550 m² de espaço, repleto de maneirismos distribuídos por 3 pisos, deixados ao meu engenho.

25 anos volvidos da construção, a casa encontrava‑se no limite das capacidades, não era capaz de exprimir mais do que um pedido à requalificação.
Fazer de novo seria simples e mais económico, sugeri.
Rejeitaram. Manter a estrutura era ordem.
Talvez não exista absurdo.

Confiaram-me o trabalho,sinto-me grato.


Demolimos o anexo ao fundo do jardim, um lago, o chafariz, os telheiros, os beirados, cornijas e ornamentos, balaustradas e arranjos exteriores, uma varanda, a chaminé “regional”, a lareira, as escadas interiores – todas as divisões interiores.
Abrimos lajes. Desmontámos o telhado, as carpintarias, as caixilharias, mobiliário fixo, as serralharias e as funilarias.
Picámos os pavimentos, revestimentos e os rebocos. Removemos as instalações elétricas e de telecomunicações, as redes de drenagem, de esgoto, de abastecimento e as peças sanitárias.
Rompemos tetos e paredes. Escavámos pátios para iluminar o piso cravado na encosta.
Restou a volumetria remendada no centro de uma cratera.


Sobre a economia permanecia a dúvida. Vale a memória o espartilho do desenho, constrangido a uma velha carcaça?
Inserimos uma escada central.
Redesenhamos os espaços interiores em volta da escada, em função da estrutura existente, numa sequência de vazos comunicantes: lavandaria, cozinha, sala de pequenos-almoços, sala de jantar, zona social e entrada.

No piso acima, 4 quartos.
No piso de baixo, salas de recreio.
Corrigimos a volumetria, alargámos e recortámos novas aberturas, a partir das existentes.
Protegemos as paredes exteriores com isolamento térmico rebocado. Introduzimos uma plataforma elevatória e climatização. Substituímos a caixilharia.


Escolhemos 4 materiais: estuque nos tetos e paredes, Ataíja nas zonas húmidas, Afzélia no pavimento e granito branco nos exteriores.

The house had no outstanding quality, apart from

maintaining the family memory. It was just a construction to me. Sometimes we are faced with situations we can't avoid and seem really absurd.
There was 550
m²  of space full of mannerisms spread over 3 floors, left to my ingenuity.


25 years after it was built, the house was at the limits of its capacity, it was unable to express more than a request to be refurbished.
It would be easier and cheaper to rebuild it, I suggested.
They rejected the idea. Keeping the structure was an order.
Maybe the absurd didn't exist.

They entrusted me with the work, I am grateful.


We demolished the annexe at the bottom of the garden, a lake, the fountain, the roofs, eaves, cornicing and ornaments, balustrades and exterior decoration, a balcony, a "regional" style chimney, the fireplace, the interior stairs – all the rooms in the house.

We opened slabs. We took down the roof, the carpentry, the door and window frames, fixed furniture, the metal and metal sheet. We chiselled away the floors, linings and the plaster. We removed the electrical and phone wiring, the drains, the sewers, the piping and the toilet fittings.

 

We broke through ceilings and walls. We dug patios to illuminate the ground floor, driven into the hillside.

All that was left was the patched volumetry in the middle of a crater.
There was still a doubt about the savings. Was the memory worth the limited boundaries of the design, constrained by an old shell? We inserted a central staircase.
We redesigned in the interior spaces around the stairs using the existing structure, in a sequence of communicating vessels: laundry, kitchen, breakfast room, dining room, social zone and entrance.
4 bedrooms on the upper floor.
Games rooms on the lower floor.
We corrected the volumetry, we widened and cut out new openings using the existing ones.
We protected the exterior walls with plastered thermal insulation. We introduced a lift platform and air conditioning. We replaced the door and window frames.


We chose four materials: plaster on the ceilings and walls, Ataíja in the damp zones, Afzelia on the floor and white granite outside.

G A L L E R Y :

Rua João Paulo II, n. 615, Trofa, Porto, Portugal.

 t. +351 252 414 729   m. +351 933 205 481   e. noarq@noarq.com

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